"Pesca nas Pesqueiras do Rio Minho" classificada como Património Cultural Imaterial

A Direção-Geral do Património Cultural, através do Anúncio nº. 265/2022 de 30 de Novembro, publicado em Diário da República nº. 231/2022, Série II de 30 de novembro, procedeu à inscrição da manifestação "Pesca nas Pesqueiras do Rio Minho" no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial.
A denominação “A Pesca nas Pesqueiras do Rio Minho” abarca os saberes e conhecimentos praticados pelos pescadores do troço internacional do rio Minho, tendo em conta a criação e adaptação de “Artes da Pesca” às contingências espaciais e naturais de parte do rio Minho, transformando-o numa paisagem cultural, junto com sofisticados processos sociais de construção e partilha das ‘pesqueiras’.
Este processo destaca-se enquanto património cultural Imaterial, na forma como as comunidades humanas ribeirinhas ao rio Minho conseguiram entender o contexto ecológico e usar os recursos à sua disposição, dentro das condições orográficas, geológicas, hidrológicas, haliêuticas, social e ambientais do espaço referencial ao ecossistema onde vivem.

No curso internacional do rio Minho, entre a Torre da Lapela e a Igreja do Porto, pertencentes ao concelho de Monção e As Neves, respetivamente, e, a montante, o rio Trancoso, entre Melgaço e a Galiza, que delimita a fronteira entre Portugal e Espanha, existem, em ambas as margens do rio, mais de 900 construções centenárias, e algumas possivelmente milenárias, denominadas de ‘pesqueiras’ (‘Pescos’ em Galego).
As ‘pesqueiras’ são construções em pedra, constituídas por um corpo em forma de muro, composto por pedras emparelhadas, com forma retangular, podendo ter vários corpos (‘piais’ / ‘poios’) de forma romboidal, com ou sem cauda, que são utilizadas para armar artes de pesca fluvial, como o botirão e a cabaceira.
O seu valor patrimonial decorre tanto da sua constituição arquitetónica e variedade tipológica, dentro de um pequeno contexto territorial, onde marcam a paisagem, bem como da sua existência histórica ao longo de séculos, sempre praticadas pelas comunidades ribeirinhas do rio Minho, as quais tiveram de desenvolver saberes e práticas de uso e partilha, organização social, etc., que são um excecional património imaterial a elas associado.
Poderá consultar a inscrição em http://www.matrizpci.dgpc.pt/
Fotos: matrizpci
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